Ansiedade generalizada e Stress. Sintomas, Diagnóstico e Tratamento. Fernando Magalhães- Psicólogo
Psicologo Clinico Dr Fernando Lima Magalhaes
 
 

Ansiedade...

Conheça melhor as muitas formas de manifestação da ansiedade

 

 

"Da próxima vez que estiver a braços com um dilema que implica tomar ou não as rédeas de si próprio, faça a si mesmo esta pergunta "Quanto tempo estarei morto?". Tendo em mente esta perspectiva eterna, poderá então fazer a sua escolha e deixar as preocupações, os medos, a questão de poder ou não fazê- la e a culpa a cargo daqueles que vão estar vivos para sempre."

                                                                                   Wayne W. Dyer

 

O que é a Ansiedade

 Não há quase ninguém que não ande preocupado, de vez em quando: é a nossa reacção a  situações de ameaça. Há várias teorias que pretendem explicar a origem da ansiedade: a psiquiatria explica-a devido a alterações químicas no cérebro, que provocam os sentimentos de medo e de pânico, aconselhando a droga certa para tratar este problema. Muitas pessoas estão mesmo convencidas que a ansiedade é uma questão médica. A teoria psicanalítica acredita que a ansiedade teve a sua origem em experiências infantis reprimidas e não resolvidas... As perturbações de ansiedade são muito vulgares, afectando cerca de 4% da população, especialmente adultos jovens.

A perspectiva da abordagem cognitiva diz-nos que a ansiedade tem a origem nos nossos pensamentos: nós interpretamos os acontecimentos e as situações, dando-lhes significados que nos fazem sentir nervosos e preocupados. atleta pronto a arrancarA ansiedade é positiva, até um certo grau, porque nos permite preparar e ultrapassar alguma situações difíceis. Por exemplo, o atleta que aguarda o sinal de partida numa corrida fica mais atento para o início da prova. Quando experienciamos ansiedade, é difícil especificar aquilo que a provoca: ela é uma resposta a um perigo vago, distante ou mesmo irreconhecível. A ansiedade afecta todo o organismo: é uma reacção fisiológica, comportamental, emocional  e psicológica. A um nível fisiológico, os sintomas podem ser desde batimentos acelerados do coração, tensão muscular, transpirar nas palmas da mãos e pés, respiração rápida e boca seca e dores de cabeça ; a um nível comportamental, a ansiedade pode prejudicar e afectar bastante o nosso comportamento, como a expressão oral ("ter uma branca"), o desempenho desportivo e escolar ou lidar com situações simples do dia-a-dia. Psicologicamente, é um estado subjectivo de apreensão, medo ou preocupação, que em casos extremos pode levar a pensamentos como "medo de morrer" ou "medo de enlouquecer".

 

Quando a ansiedade e stresse são prejudiciais

Existem muitas situações do quotidiano em que é razoável e indicado agir com alguma ansiedade. Se não sentir nenhuma ansiedade em resposta a desafios que envolvam uma potencial perda ou perigo ("ex: atravessar uma rua movimentada"), poderá haver outro transtorno, como a depressão.

O problema surge quando a ansiedade é excessiva (devido à sua intensidade, frequência e duração no tempo) ,acabando por bloquear o raciocínio e o desempenho nas situações e perturbar as actividades quotidianas. Neste caso, pode provocar sofrimento, um pior desempenho das actividades diárias ("algo horrível vai acontecer", "não me consigo concentrar") e prejudicar o sono e as relações pessoais. Um acto relativamente inofensivo como entrar para um elevador ou estar perto duma varanda num andar elevado pode ser vivido com muita intensidade e sofrimento para quem experimenta um transtorno de ansiedade porque avalia a situação com uma elevada probabilidade de ocorrência de um acontecimento negativo ou mesmo catastrófico.

pessoa com stresseEnquanto que o medo pode ser uma reacção adaptativa do organismo quando nos prepara para um perigo real (por exemplo, se virmos um urso a caminhar na nossa direcção, o coração começa a bater mais rapidamente, bombeando mais sangue,  para melhor podermos fugir dessa situação) e desta forma protegemo-nos dos perigos reais, na ansiedade patológica há uma avaliação exagerada de um perigo em situações relativamente inofensivas: um simples encontro social vai ser interpretado pelo fóbico social como uma situação humilhante, embaraçosa e vivida com muita ansiedade e apreensão.

Quando o nosso corpo é sujeito a ameaças ou perigos, dão-se um conjunto de respostas fisiológicas. Os agentes stressores podem provocar então uma activação do sistema nervoso simpático e do eixo hipotalâmico- pituitário- adrenocortical (HPA), que é um circuito que liga o corpo ao cérebro. Como resultado deste processo, há a libertação de algumas hormonas, que provocam as sensações físicas típicas da ansiedade ( batimento cardíaco acelerado, formigueiro, suor, tonturas, etc). Os agentes stressores psicológicos (ex: falar em público, desemprego, dificuldades num relacionamento...) relacionam-se com níveis altos de glicocorticóides, epinefrina e de norepinefrina, e que consequentemente, estão ligados a muitos transtornos físicos (Salovey e cols, 2000). Assim, a activação prolongada destes sistemas (ou stress crónico) aumenta a probabilidade de desenvolvimento de algumas doenças (úlceras gástricas, enfarte do miocárdio, desordens mentruais, infecções virais, artrite, cancro, depressão) (Dougall, 2001).

Muitos estudos também relacionam os efeitos do stress crónico sobre o sistema imunológico. Ou seja, o stress também aumenta a susceptibilidade a infecções, devido aos seus efeitos sobre os sistemas córtex supra-renal- adeno- hipófise e simpático da medula adrenal.

A ansiedade pode assumir múltiplas formas, desde o medo por falar em público, de andar de elevador ou por entrar num avião. Outras vezes, a ansiedade pode vir repentinamente, num ataque agudo e com sintomas físicos como falta de ar, ondas de calor e dores no peito, constituindo um ataque de pânico. A ansiedade pode ser sentida em graus muito variados, desde um ligeiro desconforto até ao terror intenso de um ataque de pânico, mas sempre com a sensação que algo de mau vai acontecer, mesmo não havendo um perigo real:

 

- Preocupações Crónicas: preocupar-se constantemente sobre a sua saúde, família, trabalho, carreira, finanças, etc. Há uma vaga ideia de que algo de mau está para acontecer, mas não sabe o quê.

- Medos e Fobias: medo da interacção social, medo de estranhos, medo de lugares altos, de elevadores, sangue, de conduzir, de aranhas, de voar, de cães, de trovoada ou mesmo de ficar fechado em lugares fechados.

- Ansiedade de Desempenho: Quando há uma preocupação excessiva em relação ao desempenho de uma tarefa: sentir a cabeça em branco quando tem de fazer um teste, realizar uma actividade em frente a outras pessoas ou mesmo competir num evento desportivo.

- Medo de falar em público: sentir ansiedade sempre que tem de falar em frente de um grupo de pessoas. Nesta situação podem aparecer pensamentos do género "Vou começar a tremer e as pessoas vão perceber como eu estou nervoso" ou " Vou-me esquecer do que tenho para dizer", "Vou ter uma branca e vou fazer uma figura ridícula", " Todas as pessoas vão olhar para mim e perceber como sou neurótico"...

- Ataques de Pânico: Sentir um ataque repentino, súbito, que parece vir do nada, no qual o coração começa a bater depressa, o corpo treme, sente que não consegue respirar e que pode sufocar, o peito aperta e onde podem aparecer tonturas ou vertigens. Nesta situação podem aparecer pensamentos como " Eu devo ter um ataque cardíaco, será que vou viver ou morrer?", "não consigo respirar, acho que vou morrer sufocado", " e se eu perder o controle?", "acho que vou enlouquecer". À medida que estes sintomas vão desaparecendo, é frequente as pessoas sentirem-se assustadas, humilhadas  e com vergonha do que aconteceu. Fica a pensar no que aconteceu e quando e onde é que isto pode acontecer de novo. Ver também transtorno de pânico

- Transtorno do Stresse Pós- Traumático: É inundado por memórias ou imagens mentais de um acontecimento terrível que aconteceu há meses ou anos.

- Agorafobia: Ficar ansioso por ficar longe de casa porque acredita que algo de mau pode vir a acontecer- como um ataque de pânico- e não vai haver ninguém que o possa ajudar. Sentir medo em lugares abertos, pontes, túneis, em lojas apinhadas de pessoas ou andar de metro ou transportes públicos. Ou seja, há um medo em relação a lugares ou situações dos quais seja difícil escapar ou sair.

- Obsessões e Compulsões: É inundado por pensamentos obsessivos que não consegue evitar ou tirar da cabeça, e impulsos (que não consegue evitar) para fazer rituais, que supostamente controlam os medos. Por exemplo, pode ser consumido pelo medo de germes e tem um impulso irresistível para lavar as mãos continuamente (comportamento compulsivo), ao longo do tempo. Ou um impulso para verificar se as portas estão bem fechadas, mesmo depois de ter acabado de verificar.  Ver também transtorno obsessivo- compulsivo

- Preocupações em relação ao aspecto físico (Transtorno Dismórfico Corporal): É consumido pela sensação de que há algo de errado ou anormal com o corpo ou com qualquer aspecto da imagem corporal ou da face, mesmo quando os amigos e familares dizem que está tudo óptimo. Por exemplo, pode haver uma preocupação com o nariz  porque se acha que é grande ou deformado ou que o corpo nunca está suficientemente musculado, apesar de anos de ginásio e de as outras pessoas o verem como bastante musculado. Esta preocupação causa sofrimento e o indivíduo pode recear actividades sociais ou evitá-las, com medo de o corpo ser exposto ou para manter a sua dieta ou exercícios. Frequentemente, há uma inibição social e muito tempo e dinheiro é gasto em cremes de beleza, suplementos alimentares e mesmo em frente a espelhos, tentando corrigir um hipotético defeito, pois há uma excessiva valorização do corpo e de que ele não satisfaz as expectativas.

Na Vigorexia ou  Síndroma de Adónis existe um preocupação excessiva com a musculatura, o corpo e o exercício físico. Existe uma distorção do esquema corporal porque, por mais exercício físico que façam e mesmo tendo um corpo muito grande e musculado, estas pessoas vêem-se como fracas e débeis. Esta obsessão com o corpo pode levar a dietas muito ricas em proteínas e a despender largas horas no ginásio e até ao consumo de esteróides e outras substâncias proibidas. Este transtorno provoca sofrimento, gerando ansiedade, depressão, fobias e comportamentos compulsivos (ex: olhar muitas vezes no espelho). Existe uma relação entre introversão, dificuldades de relacionamento interpessoal, timidez e mesmo fobia social, com este transtorno. Ao mesmo tempo, pode haver uma grande necessidade de aprovação social, mas sentindo insatisfação e complexos com o próprio corpo. Da mesma forma que existe uma distorção do esquema corporal com a anorexia, em que o indivíduo nunca se vê suficientemente magro (ainda que na realidade excessivamente magro), na vigorexia o indivíduo vê-se como fraco, apesar de ser muito musculoso. Muitas vezes, a única forma de quebrar este ciclo é através da terapia cognitivo- comportamental que realizamos, e pretende, entre outros aspectos,  modificar os esquemas distorcidos, melhorar a auto-estima e reduzir os comportamantos obsessivo- compulsivos.

 Como existem tantos sintomas diferentes relacionados com a ansiedade, ela faz parte de um conjunto de perturbações relacionadas, como os ataques de pânico, o transtorno de ansiedade generalizada, as fobias, a perturbação obsessivo- compulsiva e o Stresse pós- traumático. Cada um destes problemas tem um conjunto específico de sintomas, mas também há sintomas comuns entre eles, nomeadamente um medo intenso, de que algo negativo pode vir a acontecer. 

 

Sintomas

 

Alguns dos sintomas mais habituais da ansiedade são batimentos cardíacos mais fortes ou acelerados, aperto no peito, alterações respiratórias (inspirar e expirar ar em excesso), dores de cabeça, dores nas costas, tensão muscular,  sensação de cansaço e incapacidade de descontracção. Também são frequentes os tremores, sudação, rubor, palidez, diarreia e dores abdominais.

Os sintomas psicológicos são constituídos por sentimentos de medo, de que algo de mau está para acontecer a si próprio e/ou familiares e amigos, medo de perder o autocontrole, ter uma preocupação constante, medo de ter uma doença desconhecida, impressão de não se reconhecer a si próprio, impressão de se sentir estranho numa ambiente familiar, etc. Não havendo muitas hipóteses de relaxar, isto pode conduzir a perturbações do sono. Um dos distúrbios de ansiedade mais frequentes é a ansiedade generalizada, sendo um sintoma básico de vários transtornos de ansiedade...

 

 

Transtorno da Ansiedade Generalizada

 

A definição deste transtorno tem sofrido bastantes alterações nos últimos anos. Alguns dos critérios que permitem definir este transtorno são:

- Existência de ansiedade e preocupação excessivas ( a preocupação sentida é desproporcional à hipotese de ocorrência da situação temida), que ocorrem na maior parte dos dias, durante um mínimo de 6 meses.

- O indivíduo têm dificuldade em controlar a preocupação

- A ansiedade está associada com outros sintomas: inquietação, fadiga fácil, dificuldade de concentração (sensações de branco), irritabilidade, tensão muscular e perturbações do sono.

(a confirmação deste transtorno deve ser feita pelo psicólogo, através de entrevista diagnóstica)

 

 

O tratamento psicológico Cognitivo- comportamental

 

Nos últimos anos foram desenvolvidas novas técnicas e procedimentos no tratamento psicológico de vários transtornos de ansiedade, cuja eficácia vem sendo confirmada. Assim, seguindo as técnicas mais recentes e eficazes, a nossa terapia psicológica para tratamento da ansiedade generalizada incide sobre os seguintes aspectos:

- Avaliar o seu perfil de preocupação, através de questionários para avaliar como lida com as preocupações, os domínios de preocupação, grau de tolerância à incerteza e crenças pessoais.

- Compreender como está a reagir e a comportar em função dos acontecimentos e dos estímulos do mundo. Ao tornar claro o ciclo vicioso entre situações, pensamentos automáticos, emoções e comportamentos, o cliente pode perceber como certos padrões de pensamento podem estar a contribuir para este ciclo. Por exemplo, muitas pessoas com ansiedade crónica costumam pensar em termos de "preciso de ter o controlo das coisas a todo o tempo; preciso de tudo para agora; é importante ter a aprovaçao de toda a gente; não consigo deixar de fixar o pensamento em acontecimentos banais", "é difícil relaxar, ficar calmo até me põe nervoso", etc.

- Refutar, mudar, restruturar padrões de pensamento e construir formas de pensar mais eficazes, produtivas e satisfatórias: identificar erros de pensamento, aceitar a realidade, suspender os julgamentos inúteis sobre os acontecimentos, treinar a tolerância à incerteza, aprender um imperfecionismo eficaz, etc

- Aprender técnicas de relaxamento, como a visualização, respiração abdominal, mindfulness e meditação.

- Aplicar formas de preocupação produtiva e desaprender formas de preocupação improdutivas.

- Aprender técnicas de gestão de tempo

- Aprender técnicas de assertividade e de afirmação pessoal. Com frequência, uma parte de ansiedade relaciona-se com padrões de interacção pessoal pouco assertivos (ter uma atitude passiva ou agressiva).

Como parte do tratamento cognitivo do TAG, o cliente deverá compreender que são as interpretações que faz das situações e não devido às situações em si, que fazem sentir um conjunto de sentimentos negativos. Uma parte do tratamento passa pelo desafio que o cliente colocará aos pensamentos e predições "catastróficos" em relação a uma série de situações.

Para os outros tipos de ansiedade específicas (fobias, obsessões, pânico) e para a ansiedade social, são aplicadas técnicas mais específicas.

Os medicamentos (ansiolíticos) apenas proporcionam um alívio temporário dos sintomas de ansiedade, mas não tratam as causas da ansiedade, para além de muitos destes medicamentos poderem provocar habituação. Na maior parte dos casos, o tratamento dos problemas psicológicos mais profundos que estão na origem da ansiedade são tratados com maior eficácia através de psicoterapia. Segundo Barlow (1988), "os tratamentos farmacológicos, apesar de frequentemente testados, são surpreendentemente impotentes".

Por vezes, as pessoas que tem melhorias através de ansiolíticos acreditam que o seu problema foi ultrapassado, quando isto muitas vezes é uma ilusão provocada pela melhoria temporária; quando a toma dos medicamentos é interrompida os sintomas podem reaparecer (os ansiolíticos são a classe de medicamentos mais vendida em Portugal). Esta cura aparente pode desmotivar algumas pessoas a iniciarem um processo de psicoterapia, o que proporcionaria uma compreensão de si próprio e do processo psicológico que desencadeia a ansiedade. Certamente que em Portugal existe um número excessivo de pessoas a tomar psicofármacos e por períodos de tempo demasiado longos, quando muitas das vezes as terapias psicológicas teriam efeitos mais eficazes, duradouros e sem efeitos secundários ou de habituação, como acontece frequentemente com os medicamentos.

 

Terapia Psicológica Versus Medicação

 

Na grande maioria dos casos, a ansiedade e a depressão podem ser tratados com sucesso sem o recurso a medicamentos. Existe um número cada vez maior de estudos científicos que demostram que a terapia psicológica cognitivo- comportamental pode ser tão ou mais eficaz que os medicamentos.

A partir dos resultados de muitos estudos clínicos, vários autores (DeRubeis et al, 2005; Watanabe et al, 2007;  Westra and Stewart, 1998, etc) concluem que a terapia psicológica é muito eficaz para a ansiedade, a médio e longo prazo. Pelo contrário, as benzodiazepinas (Xanax, Valium, etc) dão um alívio, mas durante um curto período de tempo e tendem a perder a sua eficácia ao longo do tempo.  À medida que estas drogas vão deixando o organismo (algumas horas depois de as deixar de tomar), é muito frequente que se volte a sentir nervoso (a). Se tomar estas drogas durante várias semanas, pode experimentar efeitos secundários quando as tentar largar. Os sintomas mais comuns que pode sentir quando larga estes medicamentos são: ansiedade, nervosismo e sono alterado. Ou seja, podem aparecer os sintomas que o fizeram tomar as drogas. De seguida pode pensar que ainda precisa de tomar estes medicamentos e voltar a tomá-los. É deste forma que se desenvolve e mantém o padrão de dependência destas drogas.

Outro grande inconveniente destes medicamentos é que as pessoas podem pensar que os medos que possuem são realmente perigosos e devem ser evitados, o que faz com que não aprendam a lidar com o medo de uma forma realista e adaptativa. Podem continuar a evitar as situações/ estímulos que provocam o medo, perpetuando-o. Isto é exactamente o oposto que se pretende com a terapia cognitivo- comportamental !

Com a terapia psicológica, as pessoas descobrem que os seus medos não são realistas. As modificações na forma de enfrentar o medo não são conseguidas com medicamentos.

 

Terapia Psicológica- Exemplos

Pânico

Como exemplo prático, vamos ver algumas formas distorcidas de pensamento que aparecem no transtorno de pânico. Quando as pessoas estão ansiosas, tendem a ter pensamentos ansiosos e são estes pensamentos que ajudam a manter o transtorno:

"Da próxima vez que tiver pânico, eu terei um ataque cardíaco"

" Se eu entrar em pânico, vou enlouquecer e magoar os outros"

" Vou asfixiar e morrer"

Estes são alguns exemplos de pensamentos irracionais. É uma forma de pensar que exagera ou superestima o risco, pois isto é altamente improvável de acontecer. O pânico é inofensivo para o organismo, apesar dos sintomas desagradáveis. É frequente as pessoas com transtorno de pânico realizarem exames médicos e verificarem que não possuem problemas cardíacos, mas mesmo assim acreditam que podem ter um ataque fatal. Neste caso, poderá colocar algumas questões a si próprio:

- O que penso é um facto ou uma hipótese?

- Tenho alguma prova de que isto vai acontecer ou penso isto devido ao meu medo?

- Quantas vezes tive este pensamento ansioso e quantas vezes é que ele ocorreu, na realidade?

Provavelmente irá chegar a ideias alternativas bastante diferentes, para estes e para centenas de outros pensamentos! Este é apenas um pequeno exemplo de um dos componentes da terapia psicológica do pânico.

 

Preocupações

 

As pessoas que se preocupam constantemente possuem algumas crenças/ atitudes/ ideias que provocam e mantêm a ansiedade. Alguns exemplos de crenças sobre as preocupações que, com frequência, são encontradas em consulta :

- "Preocupar-me ajuda a resolver os problemas" .

É claro que a simples preocupação não modifica ou melhora nenhum problema. O problema é que esta ansiedade inútil pode paralisar a acção ou o pensamento necessários para lidar com os problemas.

- " O mundo é perigoso e não sou capaz de lidar com ele"

Os preocupados "crónicos" acreditam que o mundo está cheio de oportunidades de falhar, de rejeição e de perigos. Mas na realidade, em 79% das vezes, os preocupados lidam melhor com as situações do que o que estavam à espera. O pessimismo crónico faz as coisas parecerem muito pior do que aquilo que são.

- " Preocupar-me ajuda a dar-me uma ilusão de controlo sobre as coisas"

Há muitos aspectos da vida que simplesmente não controlamos, mas insistimos (irracionalmente) que devemos ou temos de possuir algum controle sobre a questão.

- "Preocupar- me é uma forma de reduzir a incerteza"

Um dos componentes da terapia relaciona-se com a mudança de crenças prejudiciais que mantêm as preocupações. Mas apenas mudar as ideias não chega; é necessário modificar alguns comportamentos e iniciar outros, aprender a gerir melhor o tempo e as emoções, identificar as áreas de preocupação, etc

 

Se considera ter vários sintomas de ansiedade, durante a maior parte do tempo, há mais de 6 meses e que estes estão a afectar a sua vida pessoal e profissional, marque a sua consulta.

PARA MAIS INFORMAÇÕES, VER TAMBÉM:

Stresse

Transtorno do Pânico

Bibliografia Consultada (básica):

- Dougall, A.L. , & Baum, A. (2001). Stress, health, and illness. In A. Baum, T. A. Revenson, and J. E. Singer (Eds.), Handbook of Health Psychology (pp. 321-337). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum.

- Pinel , P. J. (2003). Biopsychology, Fifth Edition. Allyn and Bacon Publisher.

- Leahy, R. L. (2005) Worry Cure: Seven Steps to Stop Worry from Stopping You


Última Actualização

13-Nov-2012

 
 

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